***
Uma mão me sacode e eu
acordo assustada. Annie esta me olhando com divertimento no olhar. Certo, eu
dormi na aula de Matemática, mas quem não fazer isso? Eu recolho minhas coisas
de cima da mesa e me levanto.
- O professor Christian
consegue ser bem chato de vez enquanto. – diz Annie e eu concordo.
- Põe chato nisso. – eu
digo e ela sorri.
- Qual sua aula agora? –
ela quer saber.
Pego a folhinha dentro do
meu bolso do blazer e olho para ela. Próxima aula: Artes. Agora falou minha
língua. Eu amo desenhar e sempre amei. Não sou perfeita, mas é a melhor coisa
que eu sei fazer.
- Artes. – eu respondo
dando de ombros. – E a tua?
- Esgrima. – ela disse e eu
só balanço a cabeça.
- Onde fica o Ateliê de
Artes? – pergunto.
- Você saí do prédio
principal e vai para uma pequena casinha perto da estábulo.
- Obrigada. – eu agradeço.
- Não foi nada!
Eu saio do prédio principal
e vou até essa casinha que Annie indicou. É uma casinha simples mesmo. Abro a
porta e me deparo com o ateliê de arte mais bonito que eu já vi. As paredes são
todas desenhadas e com quadros pendurados. Cavaletes de todos os tamanhos com
telas neles espalhados por toda a sala. Armarinhos com tinta, pincel, e etc,
estão lotados.
A professora já esta na
sala. Ela veste com macacão de jeans todo manchado de tinta. Seus cabelos
loiros estão presos em um rabo de cabalo frouxo. E suas mãos estão sujas de
tinha laranja. Ela me olha com seus grandes olhos cinzentos e sorri.
- Você deve ser White
O’Sean. – ela diz e eu assinto.
- Como à senhora sabe? –
pergunto.
- Eu tenho amizade com o
professor Roger. – ela diz. – E por favor, não me chame de senhora, nem tenho
idade para isso, só me chame de Emma.
- Tudo bem, Emma. – eu
digo.
- Pode escolher com
cavalete e já vamos começar a aula. – eu olho para os lados e a sala esta
vazia, só tem eu e ela ali.
- Só eu e você? – pergunto.
- Sim. – ela responde. –
São poucos os alunos que fazem artes, já que não é obrigatório. – eu assinto e
escolho um cavalete perto do dela. – Vamos fazer auto-retratos hoje, certo?
- Sim.
Pego pincel e tintas, e me
posiciono na frente do cavalete. Começo a pintar lentamente. Não sou muito boa
em me auto desenhar. Nunca sei como pintar meus cabelos castanhos que vão até
meus ombros, ou meus olhos castanho-claros, ou meu sorriso triste, que nunca saí
de meus lábios. Eu simplesmente não sei. Mas estou tentando. Quero que saía
perfeito. Quando eu termino. Tenho uma obra de arte. Emma vem na minha direção
e observa minha pintura. Seu rosto é inexpressivo. Não sei dizer se ela gostou
ou não.
- Esta ótimo – ela diz e eu
solto o ar que eu estava segurando.
- Que bom! – eu digo.
- O modo como se
auto-retratou ficou perfeito, eu amei. – eu dou um sorriso.
- Fico muito feliz.
No canto da sala há uma
mesa, aonde Emma vai se sentar e ela me chama. E nós ficamos conversando por
algum tempo, até que o sinal toca e eu saio da sala.
***
Eu e Annie vamos para o
estábulo juntas. Essa é nossa última aula. Annie me arruma um uniforme para eu
fazer a aula e eu já o estou vestindo. O professor Roger me olha curioso e eu
lhe dou um sorriso tímido. Ele até que é bonitinho. Mas o que diabos eu estou pensando? Tenho problemas, isso é fato.
Annie cumprimenta o
professor e eu faço o mesmo.
- Preparada para montar,
White? – ele pergunta.
- Você disse que eu não vou
montar hoje. – eu digo e ele sorri.
- Eu disse que não ia
precisar montar naquela hora, mas agora você vai ter que montar. – um sorriso
de divertimento aparece em seus lábios e eu rodo os olhos.
- Certo. – eu digo e Annie
ri.
- Vamos escolher um cavalo
pra você. – ele faz um sinal para mim o seguir e eu vou até onde os cavalos
estão.
Eu os olho um pouco
assustada. São seres grandes e poderosos. Eu tenho um pouco de medo deles. Roger
segue ao meu lado em silencio. Ele para na frente de um cavalo branco que está
no fundo do estábulo. Eu encaro o cavalo com medo exagerado.
- Você quer me dar esse
cavalo? – pergunto e ele assente.
- Na verdade, ele é meu
cavalo, mas ele tem sua cara. – ele diz e eu o encaro.
- Você acabou de me chamar
de cara de cavalo?
Ele ri.
- Não foi isso que eu quis
dizer. – ele tenta se explicar, mas eu já estou com raiva dele.
- Explique-se.
- Esse cavalo tem uma
personalidade forte, igual a mim, igual a você. – eu sinto minhas bochechas
esquentarem.
- Obrigada. – eu digo
baixinho.
- Agora é sua hora de
montar.
Meus olhos se arregalam e
ele solta uma gargalhada. Os alunos vêm entrando e pegando seus cavalos. O de
Annie é um que tem a pelagem marrom e é lindo. O professor Roger pega na minha
cintura e eu pulo com o susto que isso me dá.
- Calma – ele diz perto do
meu ouvido. –, eu só vou te ajudar a subir.
Eu relaxo um pouco. Ele me
ajuda a subir e eu fico com muito medo de estar em cima do cavalo.
- E você, onde vai montar?
– eu pergunto.
- Com você. – ele diz e eu
o olho assustada. – Todos os outros alunos estão aqui desde sempre, mas você
nunca montou, estou certo? – eu assinto. – Então preciso estar com você para
ajudar.
Ele sobe atrás de mim e
segura as rédeas do animal junto comigo. Eu fico tensa com a proximidade dele.
Com um impulso, ele faz o cavalo andar.
- Vamos classe! – ele chama
todos que já estão em seus cavalos.
Annie me dá uma piscadela e
eu sou lhe dou um sorriso tenso em resposta. Roger põe o cavalo pra correr. Meu
coração dispara por causa da dose de adrenalina que meu corpo produz. A
sensação do vento em meus cabelos é maravilhosa. Eu nunca gostei de adrenalina,
mas isso é uma delicia. O professor Roger lidera o grupo de alunos e grita
informações para eles, mas eu não escuto. Eu estou totalmente absorvida pela
sensação que isso me dá. Nós damos algumas voltas pela fazenda da Academia. É
um lugar bem bonito por sinal. Mas estamos no Texas, só existe mato por aqui.
Já perceberam como eu odeio o Texas?
Nós voltamos para o
estábulo e o professor Roger sussurra em meu ouvido:
- Não foi ótimo?
- Foi maravilhoso. – eu
respondo baixinho, só para ele ouvir.
Ele desce do cavalo e me
ajuda a descer. Eu me sento no mesmo banco onde eu me sentei na primeira aula e
pego o caderno para fazer as anotações. Ele diz algumas coisas, que eu
novamente, não consigo entender. Mas eu os anoto, pode ser que eles sejam
importantes para alguma coisa. O sinal bate e nós nos levantamos para ir embora.
Annie veio do meu lado com um sorriso no rosto.
- Tchau, professor! – eu
disse quando passei por ele, antes de sair do estábulo.
- Tchau, White. Tchau,
Annie. – ele se despediu.
- Tchau. – disse Annie com
um sorriso tímido no rosto.
O sol já se punha no
horizonte quando saímos do estábulo. Eu e Annie seguimos em direção dos
dormitórios lado a lado. As pessoas nos olhavam e apontavam e cochichavam entre
si. Olho para Annie sem entender.
- Porque as pessoas estão
tendo essa reação? – pergunto.
- Elas não estão
acostumadas em eu ter amigos. – ela diz, triste.
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