sexta-feira, 10 de agosto de 2012 | By: Always Eat Your Bananas

2º Capitulo de Enfeitiçada Pt. II


***

Uma mão me sacode e eu acordo assustada. Annie esta me olhando com divertimento no olhar. Certo, eu dormi na aula de Matemática, mas quem não fazer isso? Eu recolho minhas coisas de cima da mesa e me levanto.

- O professor Christian consegue ser bem chato de vez enquanto. – diz Annie e eu concordo.
- Põe chato nisso. – eu digo e ela sorri.
- Qual sua aula agora? – ela quer saber.

Pego a folhinha dentro do meu bolso do blazer e olho para ela. Próxima aula: Artes. Agora falou minha língua. Eu amo desenhar e sempre amei. Não sou perfeita, mas é a melhor coisa que eu sei fazer.

- Artes. – eu respondo dando de ombros. – E a tua?
- Esgrima. – ela disse e eu só balanço a cabeça.
- Onde fica o Ateliê de Artes? – pergunto.
- Você saí do prédio principal e vai para uma pequena casinha perto da estábulo.
- Obrigada. – eu agradeço.
- Não foi nada!

Eu saio do prédio principal e vou até essa casinha que Annie indicou. É uma casinha simples mesmo. Abro a porta e me deparo com o ateliê de arte mais bonito que eu já vi. As paredes são todas desenhadas e com quadros pendurados. Cavaletes de todos os tamanhos com telas neles espalhados por toda a sala. Armarinhos com tinta, pincel, e etc, estão lotados.

A professora já esta na sala. Ela veste com macacão de jeans todo manchado de tinta. Seus cabelos loiros estão presos em um rabo de cabalo frouxo. E suas mãos estão sujas de tinha laranja. Ela me olha com seus grandes olhos cinzentos e sorri.

- Você deve ser White O’Sean. – ela diz e eu assinto.
- Como à senhora sabe? – pergunto.
- Eu tenho amizade com o professor Roger. – ela diz. – E por favor, não me chame de senhora, nem tenho idade para isso, só me chame de Emma.
- Tudo bem, Emma. – eu digo.
- Pode escolher com cavalete e já vamos começar a aula. – eu olho para os lados e a sala esta vazia, só tem eu e ela ali.
- Só eu e você? – pergunto.
- Sim. – ela responde. – São poucos os alunos que fazem artes, já que não é obrigatório. – eu assinto e escolho um cavalete perto do dela. – Vamos fazer auto-retratos hoje, certo?
- Sim.

Pego pincel e tintas, e me posiciono na frente do cavalete. Começo a pintar lentamente. Não sou muito boa em me auto desenhar. Nunca sei como pintar meus cabelos castanhos que vão até meus ombros, ou meus olhos castanho-claros, ou meu sorriso triste, que nunca saí de meus lábios. Eu simplesmente não sei. Mas estou tentando. Quero que saía perfeito. Quando eu termino. Tenho uma obra de arte. Emma vem na minha direção e observa minha pintura. Seu rosto é inexpressivo. Não sei dizer se ela gostou ou não.

- Esta ótimo – ela diz e eu solto o ar que eu estava segurando.
- Que bom! – eu digo.
- O modo como se auto-retratou ficou perfeito, eu amei. – eu dou um sorriso.
- Fico muito feliz.

No canto da sala há uma mesa, aonde Emma vai se sentar e ela me chama. E nós ficamos conversando por algum tempo, até que o sinal toca e eu saio da sala.

***

Eu e Annie vamos para o estábulo juntas. Essa é nossa última aula. Annie me arruma um uniforme para eu fazer a aula e eu já o estou vestindo. O professor Roger me olha curioso e eu lhe dou um sorriso tímido. Ele até que é bonitinho. Mas o que diabos eu estou pensando? Tenho problemas, isso é fato.

Annie cumprimenta o professor e eu faço o mesmo.

- Preparada para montar, White? – ele pergunta.
- Você disse que eu não vou montar hoje. – eu digo e ele sorri.
- Eu disse que não ia precisar montar naquela hora, mas agora você vai ter que montar. – um sorriso de divertimento aparece em seus lábios e eu rodo os olhos.
- Certo. – eu digo e Annie ri.
- Vamos escolher um cavalo pra você. – ele faz um sinal para mim o seguir e eu vou até onde os cavalos estão.

Eu os olho um pouco assustada. São seres grandes e poderosos. Eu tenho um pouco de medo deles. Roger segue ao meu lado em silencio. Ele para na frente de um cavalo branco que está no fundo do estábulo. Eu encaro o cavalo com medo exagerado.

- Você quer me dar esse cavalo? – pergunto e ele assente.
- Na verdade, ele é meu cavalo, mas ele tem sua cara. – ele diz e eu o encaro.
- Você acabou de me chamar de cara de cavalo?

Ele ri.

- Não foi isso que eu quis dizer. – ele tenta se explicar, mas eu já estou com raiva dele.
- Explique-se.
- Esse cavalo tem uma personalidade forte, igual a mim, igual a você. – eu sinto minhas bochechas esquentarem.
- Obrigada. – eu digo baixinho.
- Agora é sua hora de montar.

Meus olhos se arregalam e ele solta uma gargalhada. Os alunos vêm entrando e pegando seus cavalos. O de Annie é um que tem a pelagem marrom e é lindo. O professor Roger pega na minha cintura e eu pulo com o susto que isso me dá.

- Calma – ele diz perto do meu ouvido. –, eu só vou te ajudar a subir.

Eu relaxo um pouco. Ele me ajuda a subir e eu fico com muito medo de estar em cima do cavalo.

- E você, onde vai montar? – eu pergunto.
- Com você. – ele diz e eu o olho assustada. – Todos os outros alunos estão aqui desde sempre, mas você nunca montou, estou certo? – eu assinto. – Então preciso estar com você para ajudar.

Ele sobe atrás de mim e segura as rédeas do animal junto comigo. Eu fico tensa com a proximidade dele. Com um impulso, ele faz o cavalo andar.

- Vamos classe! – ele chama todos que já estão em seus cavalos.

Annie me dá uma piscadela e eu sou lhe dou um sorriso tenso em resposta. Roger põe o cavalo pra correr. Meu coração dispara por causa da dose de adrenalina que meu corpo produz. A sensação do vento em meus cabelos é maravilhosa. Eu nunca gostei de adrenalina, mas isso é uma delicia. O professor Roger lidera o grupo de alunos e grita informações para eles, mas eu não escuto. Eu estou totalmente absorvida pela sensação que isso me dá. Nós damos algumas voltas pela fazenda da Academia. É um lugar bem bonito por sinal. Mas estamos no Texas, só existe mato por aqui. Já perceberam como eu odeio o Texas?

Nós voltamos para o estábulo e o professor Roger sussurra em meu ouvido:

- Não foi ótimo?
- Foi maravilhoso. – eu respondo baixinho, só para ele ouvir.

Ele desce do cavalo e me ajuda a descer. Eu me sento no mesmo banco onde eu me sentei na primeira aula e pego o caderno para fazer as anotações. Ele diz algumas coisas, que eu novamente, não consigo entender. Mas eu os anoto, pode ser que eles sejam importantes para alguma coisa. O sinal bate e nós nos levantamos para ir embora. Annie veio do meu lado com um sorriso no rosto.

- Tchau, professor! – eu disse quando passei por ele, antes de sair do estábulo.
- Tchau, White. Tchau, Annie. – ele se despediu.
- Tchau. – disse Annie com um sorriso tímido no rosto.

O sol já se punha no horizonte quando saímos do estábulo. Eu e Annie seguimos em direção dos dormitórios lado a lado. As pessoas nos olhavam e apontavam e cochichavam entre si. Olho para Annie sem entender.

- Porque as pessoas estão tendo essa reação? – pergunto.
- Elas não estão acostumadas em eu ter amigos. – ela diz, triste.

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